Somos alunos da escola Cidade de Castelo Branco, do 9.º ano da turma A. Construímos este Blog com a finalidade de mostrar a nossa sabedoria sobre a História.

12
Nov 08

 

Jaime Cortesão foi médico do Corpo Expedicionário Português, na Flandres. Dessa sua experiência, escreveu: “Memórias da Grande Guerra (1916-1919)”, de que transcrevemos o seguinte trecho:
«Lançados ao acaso sobre as macas, os feridos de mais gravidade esperam a sua vez. Um cheiro pesado e morno a éter, sangue e entranhas violadas entontece e engulha. À beira deste ou daquele pingam nascentes de sangue. O chão é todo manchado pelo rio vermelho da vida que extravasa.
Oh! Mas este odor a matança é intragável. Paro, hesito. Não, não posso. É demais para as minhas forças débeis. E depois, estes gritos!... Alguns psalmodiam queixas lúgubres. E, a espaços, forma-se um coro desgarrado de apelos e uivos, como de reses mal abatidas.
Um homem com a cara cor de chumbo e lama, sacode no ar um coto de braço empanado, todo rútilo de sangue, e implora, uivando:
- Não me deixem morrer! Tenham pena de mim!
 
Ali, para um canto, caiu uma horrível massa humana ensanguentada e informe; não se lhe vê a cabeça, todavia aquilo geme numa suprema despedida, muito baixinho, de cortar o peito:
-Ai! Minha rica mãezinha! - Como um degolado, cuja voz, tão sentida é, nascesse do próprio coração.»

 

Miriam Saiago

 

publicado por turma9a-ap às 16:25

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