Somos alunos da escola Cidade de Castelo Branco, do 9.º ano da turma A. Construímos este Blog com a finalidade de mostrar a nossa sabedoria sobre a História.

17
Nov 08

 

Prisioneiros ingleses e portugueses, após a batalha de La Lys.
 

 Soldados nas trincheiras, em La Lys.

 

 

A guerra na Flandres pela historiografia britânica e alemã, deu-se entre 9 e 29 de Abril de 1918, no vale da ribeira da La Lys, sector de Ypres, na região da Flandres, na Bélgica.

Nesta batalha, que marcou a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, os exércitos alemães, provocaram uma estrondosa derrota às tropas portuguesas, constituindo a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.
A frente de combate distribuía-se numa extensa linha de 55 quilómetros, entre as localidades de Gravelle e de Armentières, guarnecida pelo 11° Corpo Britânico, com cerca de 84.000 homens, entre os quais se compreendia a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), constituída por cerca de 20 000 homens, dos quais somente pouco mais de 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa. Esta linha viu-se impotente para sustentar o embate de oito divisões do 6º Exército Alemão, com cerca de 55 000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast (1850-1934). Essa ofensiva alemã, montada por Erich Ludendorff, ficou conhecida como ofensiva "Georgette" e visava a tomada de Calais e Boulogne-sur-Mer. As tropas portuguesas, em apenas quatro horas de batalha, perderam cerca de 7.500 homens entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja mais de um terço dos efectivos, entre os quais 327 oficiais.

 

 

O horror da guerra, na Flandres.

 
O Corpo Expedicionário Português (CEP) foi a principal força militar que Portugal, durante a 1ª Guerra Mundial, enviou para França, com a finalidade de, através da sua participação activa no esforço de guerra contra a Alemanha, conseguir tirar dividendos no final desta.
De notar que Portugal também enviou para França uma outra força, mais reduzida e menos famosa: o Corpo de Artilharia Pesada Independente (CAPI). O CAPI destinou-se a responder a um pedido de ajuda francesa, ficando sob comando do Exército Francês, sendo aí conhecido por Corps de Artillerie Lourde Portugaise (CALP) e tendo operado artilharia super-pesada de caminho de ferro, com obuses de 320 mm, 240 mm e 190 mm. A partida de milhares de homens para a Flandres gerou, no entanto, descontentamentos nacionais, avolumados pelos enormes gastos a suportar pelo governo.

 

Os Generais do CEP: Tamagnini, Hacking e Gomes da Costa.

 

Em 1916, foi organizado um Corpo Expedicionário Português (CEP), sob o comando do General Tamagnini. Em Fevereiro de 1917, as primeiras tropas portuguesas desembarcadas entravam em posição no sector de Thérouane, na Flandres.
Numa primeira fase, as tropas do CEP foram colocadas junto do Exército Inglês, tendo de seguida passado à sua primeira experiência no quotidiano das trincheiras.
De Fevereiro de 1917 à Primavera de 1918, o tempo foi-se desenrolando entre bombardeamentos de artilharia e assaltos às linhas inimigas. Uma das batalhas em que o CEP participou foi a Batalha de La Lys.
Esta batalha ocorreu entre 9 e 29 de Abril de 1918, no vale da ribeira da La Lys, na região da Flandres, na Bélgica. Ela marcou a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, pois os exércitos alemães provocaram uma estrondosa derrota às tropas portuguesas.
A frente de combate tinha cerca de 55 quilómetros, estava localizada entre as localidades de Gravelle e de Armentiéres, abastecida pelo 11° Corpo Britânico, com cerca de 84 000 homens, entre os quais se compreendia a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP) numa frente de aproximadamente 20 quilómetros, constituída por cerca de 20 000 homens, dos quais pouco mais de 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa. As tropas portuguesas, em apenas quatro horas de batalha, sofreram cerca de 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7740 prisioneiros, ou seja, mais de um terço dos efectivos, entre os quais 327 oficiais
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Esquema da batalha de La Lys.

 

 

Hélder Rodrigues

publicado por turma9a-ap às 18:27

 

Notícias da Beira

O jornal «Noticias da Beira», órgão do Partido Republicano Português em Castelo Branco, publicou várias notícias, sobre a participação dos soldados portugueses na Grande Guerra, e também poemas.

I

Tremula ao vento a bandeira

E soa ao largo o clarim,

A pátria chama por mim,

Eu vou entrar na fileira,

Tudo quanto a dor encerra,

Comtanto que a minha terra,

Meu Portugal seja amado,

E o portuguez, que é soldado,

Nunca teve medo á guerra

 

II

Minha enxada abandonei-a,

Meu alvião lá ficou;

Coração, que tanto amou,

Outra estrela hoje o norteia.

Deixo, alegre, a minha aldeia,

Os meus amores, o meu lar,

Vou p´rá França batalhar

Á luz viva desta espada,

Que a honra da pátria amada,

A´ vitoria hade levar

 

III

Meu braço, que á neve e ao vento,

As duras terras volveu,

Sabe que é sob este céu

Que fica meu pensamento.

Se, portanto, for sangrento

E rude o seu combate,

Não estranheis que o dever

Assim lh´o ordene, ó teutões:

Vai defender corações,

Salvar a pátria ou morrer.

 

IV

Soldado, vamos marchar

Unidos como um só corpo.

Que importa que fiques morto

Se vais mundos resgatar?

Ou nas terras d´além-mar,

Ou n´essa França querida,

Não me importa dar a vida

Em nome da humanidade.

Sou filho da liberdade,

Quero a pátria redimida.

 

 

 

 Tomás da Fonseca

 

 

«Notícias da Beira»; Ano 11; N.º 508; Castelo Branco, Domingo, 9 de Agosto de 1914.

 

 

«Noticias da Beira»; Ano 13, Nº.º 586; Castelo Branco, 12 de Março de 1916.

Elizabete Canilho

Mariana Lourenço

publicado por turma9a-ap às 18:18

14
Nov 08

Os combatentes portugueses têm monumentos espalhados pelo país, para os homenagear.

O Monumento aos Combatentes da Grande Guerra de Castelo Branco estava no Cemitério, no Talhão dos Combatentes, mas foi mudado recentemente para uma rotunda no meio da cidade. Foi inaugurado, em 1924, e foi mudado para o centro da cidade, em 15 de Dezembro de 2007.
O Monumento aos Combatentes da Grande Guerra da Covilhã situa-se no centro da Covilhã e foi inaugurado em 1926.

 

 

Monumentos aos Combatentes da Grande Guerra na Covilhã

 

 

 

Monumentos aos Combatentes da Grande Guerra de Castelo Branco

 

Ricardo Barata

publicado por turma9a-ap às 18:28

12
Nov 08

 

Jaime Cortesão foi médico do Corpo Expedicionário Português, na Flandres. Dessa sua experiência, escreveu: “Memórias da Grande Guerra (1916-1919)”, de que transcrevemos o seguinte trecho:
«Lançados ao acaso sobre as macas, os feridos de mais gravidade esperam a sua vez. Um cheiro pesado e morno a éter, sangue e entranhas violadas entontece e engulha. À beira deste ou daquele pingam nascentes de sangue. O chão é todo manchado pelo rio vermelho da vida que extravasa.
Oh! Mas este odor a matança é intragável. Paro, hesito. Não, não posso. É demais para as minhas forças débeis. E depois, estes gritos!... Alguns psalmodiam queixas lúgubres. E, a espaços, forma-se um coro desgarrado de apelos e uivos, como de reses mal abatidas.
Um homem com a cara cor de chumbo e lama, sacode no ar um coto de braço empanado, todo rútilo de sangue, e implora, uivando:
- Não me deixem morrer! Tenham pena de mim!
 
Ali, para um canto, caiu uma horrível massa humana ensanguentada e informe; não se lhe vê a cabeça, todavia aquilo geme numa suprema despedida, muito baixinho, de cortar o peito:
-Ai! Minha rica mãezinha! - Como um degolado, cuja voz, tão sentida é, nascesse do próprio coração.»

 

Miriam Saiago

 

publicado por turma9a-ap às 16:25

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