Somos alunos da escola Cidade de Castelo Branco, do 9.º ano da turma A. Construímos este Blog com a finalidade de mostrar a nossa sabedoria sobre a História.

24
Mai 09

 

Conforme me contou, o meu tio assentou praça, no ano de 1963, em Caldas da Rainha, com 21 anos. Após 3 meses de recruta e outros tantos de especialidade, foi mobilizado, em Janeiro de 1964, para o ultramar, mais concretamente para Binar, onde permaneceu 2 anos e 1 mês, sempre em zona do mato.

 O meu tio, à esquerda, junto do aquartelamento

 

Durante todo este tempo, ficou sujeito a todos os contratempos que daí resultaram, começando pelo inevitável confronto armado com as forças contrárias (as quais estavam a defender a sua terra), sofreu fome, sede e apanhou a doença comum tropical que era o paludismo.

Durante todo o tempo que lá passou e nas inúmeras patrulhas que efectuou, sofreu emboscadas, das quais alguns dos seus colegas sofreram graves ferimentos e

outros perderam a vida, o que, na sua vida futura, veio a afectar o seu estado psicológico, pois foram traumas que lhe ficaram gravados na memória e para os quais não havia qualquer tratamento, a não ser ter de viver com eles.

 Helicóptero a evacuar um ferido

 

Nos principais dias de festa, como a Páscoa, Natal e Passagem do Ano, os “Turras” (nome que davam aos habitantes de lá que andavam na guerra), efectuavam ataques directos e inesperados ao aquartelamento, o que os obrigava a deixar a comemoração dos festejos e ter de pegar em armas, para não serem mortos.

Durante todo este tempo, o mais custoso foi a separação da família, com especial relevância da namorada, pois o único meio de comunicação era a carta que escreviam, fornecida pelo Movimento Nacional Feminino, chamado aerograma, o qual não carecia de qualquer selo.

Houve, contudo, um dos momentos mais marcantes da sua estadia no Ultramar.

Certo dia, ao serem escalados para irem fazer uma emboscada aos “Turras”, estes aperceberam-se e posicionaram-se para os receber.

Após confrontos violentos, houve muitas baixas tanto do seu pelotão como do lado contrário, valendo para salvação dos restantes, onde ele se encontrava, a intervenção da aviação portuguesa.

Como se fez de noite, tiveram de ali acampar, para procederem, no dia seguinte, à evacuação dos feridos e mortos, como também para poderem regressar ao quartel mais tranquilamente.

Findo o seu tempo de serviço, regressou à Metrópole, em 1966. 

O meu tio no mato

 

 João Ascenção

publicado por turma9a-ap às 22:04

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